Quinze andares com elevador, assistente social, mediador de conflitos e condomínio pago por até três anos. É a nova proposta de habitação da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), que alterou a estrutura para atender a demanda da Região Metropolitana. No Grande ABC, a expectativa do governo estadual é construir projetos do modelo em Santo André e em São Bernardo.
Edifício seguindo os novos padrões vai ser construído no Jardim Santo André, conforme afirmou o secretário de Habitação do Estado, Lair Krähenbühl. O bairro com infraestrutura precária e alvo de ocupação irregular, aguarda há mais de 10 anos urbanização e remoção de famílias em área de risco. Mais de 9 mil famílias vivem no local e esperam posicionamento do poder público sobre melhorias na habitação. "Estamos fechando acordo com a Prefeitura até dezembro", garantiu.
Segundo o secretário, a verticalização de unidades habitacionais vai ser o modelCW20o adotado na grande metrópole. "Não é fácil o acesso a terrenos livres e de custo acessível para erguer novas moradias. A verticalização aproveita melhor a área", falou. "Santo André não foge dessa realidade. Nossos estudos apontam essa alternativa para o Jardim Santo André".
A partir de sete andares acima do solo os prédios devem possuir elevadores (os abaixo disso acompanham a topografia do terreno). O equipamento eleva em 10% o custo da obra e amplia 5% o tamanho do imóvel, conforme o secretário. "Com elevadores o condomínio também encarece e por isso temos de ter critérios para tocar o projeto."
TEMPO PARA CRESCER
De acordo com Krähenbühl, a proposta já foi enviada para a Prefeitura de São Paulo e vale também para Santo André. "O período vai permitir que as famílias se estruturem financeiramente melhor, assim podem futuramente arcar com os gastos"
MUDANÇA DE HÁBITOS
Nos próximos dias a Secretaria de Habitação lança edital para contratar empresa responsável pela gerência de condomínios. A terceirizada vai oferecer assistência social e até mediador de conflitos. A proposta do secretário é mudar a cultura dos novos condôminos. "Morar em apartamento é diferente que a situação em núcleos habitacionais. Existem taxas e regras", pontuou o gestor./CW
A secretária indicou a Vila Ferreira como possível bairro para a construção. "Parte do bairro foi urbanizada e a CDHU ainda deve construir unidades. É um ótimo local para servir de piloto", acredita.
Projeto será implantado no Jd.Santo André
O secretário de Habitação de Santo André, Frederico Muraro, explicou que o prédio que será construído no Jardim Santo André pode ter 15 andares. Além disso, o gestor afirmou ao lado do presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, que o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para o bairro vai ser assinado até dezembro. Os gestores públicos participaram ontem do 8º Encontro Regional para Discussão do Plano de Habitação.
A proposta do edifício foi apresentada nas últimas reuniões entre Ministério Público e governos estadual e municipal. Muraro explicou que a estrutura abrigaria maior número de famílias que vivem em ocupações irregulares no local. "Assim não vai ser necessário remoção e conseguimos revolver o problema local", pontuou.
O promotor de Habitação e Urbanismo, Fábio Henrique Franchi, completou que o projeto minimizaria as dificuldades habitacionais de mais de 9 mil famílias que residem no local. "A remoção representa problema social grave, pois as pessoas estão habituadas à região. A melhor medida é a permanência das famílias no bairro", salientou.
Além disso, ele explicou que o edifício com elevador vai beneficiar pessoas com dificuldades de locomoção. "Imagine um idoso ter de subir escadas de sete andares segurando sacolas com compras", exemplificou o promotor.
O termo deveria ser assinado em setembro. Mas, de acordo com Franchi, Estado e Prefeitura não apresentaram o projeto de urbanização. "As duas esferas ainda têm de definir projeto e cronograma de obras", explicou.- RF
Condomínio caro preocupa futuros moradores
Camila GalvezbrDo Diário do Grande ABC
A dona de casa Fátima Crispim, 56 anos, mora em um barraco no Cruzado II, no Jardim Santo André. As tábuas foram erguidas sobre o esgoto que corre morro abaixo. Mudar-se para um apartamento é um sonho. Mas com elevador? "E o preço do condomínio? É caro, não é?", questiona.
Mesma dúvida tem a auxiliar operacional Luciana de Araújo, 30, 11 deles no bairro. "Seria bom sair, mas tem que ser para um lugar que eu possa pagar", diz ela, que vive com as duas filhas em um barraco que precisará ser removido pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). "Eles disseram que viriam até o fim do ano para falar sobre o projeto, mas já estamos em novembro e nada", lamenta.
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